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4ª Mostra Cinema e Direitos Humanos
na América do Sul



Cinemateca Brasileira



A quarta edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul marca a consolidação de um projeto que vai além da difusão de filmes. Fazer conhecer a cinematografia sul-americana, e pelo quarto ano consecutivo, já seria uma realização a ser celebrada, em um continente cujas produções artísticas pouco dialogam entre si e que traz, na história das iniciativas neste sentido, a marca da descontinuidade. Porém, a promoção da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que neste ano conta novamente com o patrocínio da Petrobras e a parceria do SESC-SP, sempre teve um desafio maior: trazer a primeiro plano, através do cinema, índices da situação dos Direitos Humanos entre nós, resgatar de nossa história registros muitas vezes soterrados pelo esquecimento, e mobilizar a vontade de construir um mundo menos desigual. A Cinemateca Brasileira, participando do projeto desde sua formulação, tem tido a satisfação de acompanhar os resultados desta iniciativa, perceptíveis tanto no aprofundamento do debate em torno do tema, quanto na boa acolhida à ampliação do circuito que, iniciado em 2006 em quatro salas, atinge, em 2009, a formidável presença em 16 capitais brasileiras. Este crescimento requer um esforço de produção e de articulação que a Cinemateca realiza por acreditar na contribuição que o cinema sul-americano – cuja visibilidade no plano internacional é crescente – tem a oferecer no que tange à luta pela dignidade humana.

Seguindo o modelo inaugurado em 2008, a curadoria selecionou os filmes que integram a Mostra através de uma convocatória à qual realizadores propuseram seus trabalhos. Estas obras apresentam um quadro impressionante de questões, mas também de busca de alternativas, trazendo, entre outros temas, a rotina dos catadores de papel na cidade de São Paulo e a situação dos imigrantes angolanos no Brasil; a punição desproporcional a pequenos delitos em Bogotá e a fome em Choró, zona rural do Ceará; a violência sofrida por crianças em todos os cantos de nosso continente e as convulsões políticas e sociais que acabam por envolver populações inteiras, como a ocorrida em Cochabamba, em 2007. Além desse quadro, do qual aqui destacamos apenas algumas peças, a Mostra apresenta Sessões Especiais, uma Retrospectiva Histórica, e uma homenagem ao projeto Vídeo nas Aldeias que tem desenvolvido, desde 1987, a produção audiovisual sobre as lutas, os massacres, os rituais, desterros e reencontros dos povos indígenas no Brasil. Esperamos que, mais uma vez, um conjunto de imagens e sons que testemunham e interpretam a situação dos Direitos Humanos na América do Sul tenha a força de promover a reflexão, o debate e a busca de um mundo em que tenhamos o direito de sermos todos iguais em nossas diferenças.


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